
A agulha despe o vinil, naquela crua sensualidade
no fumo dançante de mais um cigarro ardente
suave quente e frio, em cada acorde que geme pungente
de uns stones além tempo, naquela nua “Angie” sem idade
Indomada balada, acicata a alma, acende uma, após outra, cada veia
perdem-se as horas, em noites sem fim, a cada sussurro, a cada vagir
no desencontro das silhuetas, encontram-se os corpos, num vir, sem partir
ao sabor do toque quente, da inquieta agulha, que a noite incendeia
É música que se escreve, na pauta do nosso despido perfil
nesta cama, navego no teu corpo, como a agulha, no vinil
e descubro rock, hip-hop, r&b, pop, dance, house, até ser dia
No ritmo de saber, sermos música, original, sem covers, nesta nossa alquimia
e dou por mim ao escrever esta letra, a plagiar, um outro, não me leves a mal
por me descobrir, no velho vinil, ser “um tipo analógico, num mundo digital”
Vasco Guedes
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