
Sábios, os lábios teus,
Que murmuram esperança, que esculpes nos meus
Que no silêncio das palavras, é a voz que diz mais que tudo
No sabor de um beijo frio, no calor de um sorriso carnudo
Sensata alma alada, do teu olhar de soslaio
Que me enlaça e esvoaça. sobre o abismo das minhas loucuras
Que me lê, o meu, sob a armadura das lentes escuras
Esse teu olhar de menina-mulher, que me agarra, se eu caio
Gentil geografia, o teu corpo, na dança dos teus dedos
Que me buscam e resgatam, e num abraço, me levas os medos
É no intervalo das palavras, que te fazes cúmplice, e dás o que melhor és
De peito aberto, como tantas vezes me viste fazer, mergulhas no céu e vences as marés
E num só gesto, em cada um, és prosa maior que soneto
És a tinta que se não gasta, o antes, durante e depois, jamais incompleto
E te fazes rosa-dos-ventos, neste meu e outro qualquer momento,
No desalinho do caminho, és norte, por sorte, destino e meu alento
És tu, és a parte que se não parte, de quem sou, que se não dome
A força da alma, e a alma da força que se esforça um pouco mais
Pelo eu, pelo tu, pelo o um que somos, por nosso nome
És a luz ateada, no entrelaçar dos dedos, nas mãos dadas, esses “agoras” imortais
É em ti que emerjo, meu céu sem fim,
Amiga, confidente, amante e mulher
Meu perdão, vida, na redescoberta do viver
És o EU, nas maiúsculas que são, o eu que há em mim.
Vasco Guedes
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