
Escuto as ondas do mar, poema de beleza
no silêncio das marcas de pés escritos na areia,
além dos sussurros do vento nas dunas, ásperos por natureza
escuto o mar inteiro, como ode, doce canto de sereia…
Bebo o sal, de tantas lágrimas, de partidas e chegadas
provo as histórias da espuma branca, no onde das ondas, de um qualquer onde
a saudade e os braços abertos, em regressos, no sentir que se não esconde
sorvo as estrelas do mar e do véu do céu, que guiam nas escuras madrugadas
Por entre os dedos, entrelinhas de mar, escorrem cantos mudos, guardo-lhes o sabor
como pétalas de uma flor de sal, que num murmúrio, de um pôr do sol, fez seu cais
num trinar assim, em mim, dedilhar de uma grafia de aromas, luzes e cor
No fundo deste meu búzio, há segredos, viagens e poemas, sem plágio
na prosa de uma praia, que é minha, hoje um pouco mais
na suave musicalidade, que se olha, se vive e se sente, como adágio
Vasco Guedes
(sim, tudo isto foi escrito, depois de ter de ouvido o mar inteiro, no fundo de um búzio, despertando-me os 5 sentidos)
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