sexta-feira, 30 de julho de 2010


Apaga-me o frio, que hoje me incendeia a alma
Acende-me a luz dos olhos, com a voz do teu olhar
Mata-me de vida, que a vontade, parece entre os dedos desaguar
Vaza-me esta dor do peito, no saber do sabor da tua calma

Rasga-me corpo desocupado, no vazio que me invade
Leva-me e eleva-me nas tuas asas, que hoje sou arcanjo proscrito
Caído dos céus, no fundo das trevas, sou desnudas penas, verbo não escrito
Caia-me de cores translúcidas, antes que a lucidez se me acabe

Faz-te fio de luz, que se desenha em cada eclipse,
Solta-me deste sentir órfão, ó tingir quão pálido
Leva-me de mim, deste meu secreto apocalipse

Permite-me que leia, no teu enleio, o infinito
Que me alumia, nesse sentir gentil e cálido
Resgata-me de mim, que hoje não sou mais que mudo grito

Vasco Guedes

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