
Um atrás do outro, se rói
ardente vício, que no fundo do peito, dói
brilho cadente, que se escapa, num decadente respirar de fumo
rasga-se em galas de noite e dia, no fervor onde me consumo
Maldita perdição, meteoro de pouca graça,
Rendição que queimas, a cada passa
aterras em fogo, prendes-me e te soltas como ópio
sentença adiada, de uma morte anunciada, nu e suave caleidoscópio
Prometes acalmia, ó trágica profecia, de um assim morrer lento
dançante sedutora, insinuante provocadora, sem sombra nem rasto, te leva o vento
e matas-me um pouco mais, ó libertino cais onde me agarro
Sem voz, pela boca, ditas sentença, que o saber, o negar finjo
turvas-me os sentidos, agora rendidos, no negro ao que os pulmões tinjo
certeira bala, que me mata, nesta lenta agonia, de cada ardente cigarro.
Vasco Guedes
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