
Olá, digo-te no silêncio desta nossa cumplicidade
no sorriso que sabemos, nas entrelinhas, escrever de soslaio
mergulhando no teu abraço, eterno, gentil, sem idade
e no teu regaço terno, subtil, amanheci, em cada meu ensaio
Olá, dizes-me de volta, acolhendo-me os passos, neste regresso
são tuas ruas, minhas linhas nuas, és-me verbo e inspiração
a voz em surdina no vento, meu alento, minha musa, alma e coração
e albergas-me no teu colo, no embalo sem intervalo, que te não passo
Em ti me perco, de novo, de cada vez, como se fossem as primeiras
em ti me encontro, uma vez mais, da Foz às Antas, debruçado nas muralhas e ameias
ébrio do perfume que deixas nas tuas vielas, artérias, ruas e veias, de dama burguesa convicta
E aí, em ti, meu porto de abrigo, ombro amigo, boémio, etílico e eclético
viajo nas silhuetas de ampulhetas, que o tempo é detalhe, mesmo num velho eléctrico
nestas minhas jornadas, entre as palavras e as calçadas, por teu nome, companheira, Muy Nobre e Invicta
Olá, te digo, meu Porto,
nascente do brilho dos meus olhos, foz do meu conforto.
Olá, me dizes de volta, tu que tanto me és, emprestando-me alento
no abraço com que me acolhes, nesse teu místico talento
Olá, te digo, nos silêncios e de todas as vezes que te escrevi
como admirador e amante, enamorado, desde que te conheci
olá me dizes, deixando-te redescobrir a cada vez, com encantos novos e desiguais
com a promessa, que um adeus não amanheça jamais
Vivendo em mim, a cada olá, a cada até amanhã, num até breve
deixando-me em ti viver, entre as sombras da Sé, do palco do Rivoli e as luzes da Boavista
vivendo a vida, como a vida sabe ser, tão perto do coração, ainda que longe da vista
Olá, minha cidade
Minha dama, Senhora da minha saudade
Vives-me vida, e em ti vivo, até que a vida me leve
Por tantas vezes que te escrevi, tanto por ti, fica sempre por dizer…
Obrigado por isso, meu Porto.
(perdoa se te repito as palavras, nesta minha contemplação)
Vasco Guedes
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