
Ardente desejo,
que tens aurora, na dança dos olhares que se cercam
e num ritual secreto, se encerram, num incessante ensejo
como eco silencioso, guardam o tempo, antes que os tempos se percam
Rendem-se os rostos, além da física, nas suas leis da gravidade
serve-se o sangue que ferve, pulsa, ardente tição
na escultura das silhuetas, que naquele ali, se fazem eternidade
no quase toque, quase frases se dizem a uma só respiração
Acoplam-se os lábios, velhos sábios, num trapézio sem rede,
prova-se o sabor da vida, mata-se no calor desta sede
onde se digladiam as línguas, nessa guerra sem quartel
Ardente desejo, arena dos sentidos, acesos à flor da pele
que conjugas o verbo, no seu tempo mais que perfeito
no doce sabor de um beijo, estrofe que nasce na boca, poema que vive no peito
Vasco Guedes
p.s. Hoje, a foto que me fez apaixonar por fotografia.
Robert Doisneau, O beijo do Hotel de Ville
Sem comentários:
Enviar um comentário