
Dança-me na menina dos olhos, menina,
em traços de luz, no meu olhar desaguas.
Aquieta-me este desassossego, no teu jeito de bailarina
na magia dos teus passos, nessas tuas danças nuas
Baila, na geografia dos tempos, sê meus montes e meus lagos
risca as orlas do tempo que sou, a brisa solarenga na tua melodia
faz-te lusco-fusco, onde me ofusco, faz imperecíveis, os tempos vagos
em cada afago, a cada madrugada, dança-me nos olhos, o tempo sem fim, mulher, filha de Maria,
Baila a pungente ária de cada noite, onde és do tempo, meu horizonte
esculpe a arte que és, na tela de cada passo, a cada gesto, à tua maneira
tu que me és foz dos dias, cada teu abraço dançante, cada minha eterna ponte
Dança, faz do presente, prenda, o nosso presente, um futuro infindo, sem prazo,
em cada rua, em cada praça, onde o tempo não passa, na tua porta, à soleira
nos tangentes perfis dos rios, dança-me os perpétuos segundos de cada ocaso
Dança, escreve-me um post scriptum a cada fim de tarde
um sempre depois, depois que depois, ainda que o tempo tarde…
um para sempre e um pouco mais, em sempre similares desiguais
pois no tempo do tempo, seremos juntos, que dois…bem mais.
Baila-me, a dança que és, no sorriso que suspira nos meus lábios
na cor do brilho dos olhos, no sentir que não se ensina aos sábios
o desmaio de cada ensaio, no palco das cenas, onde me és sina
dança-me a subpele, nos sigilosos andamentos, a tua dança, menina
Dança-me a cada agora, a cada para sempre
acende-me os sentidos, cada vez que a tua dança relembre
a cada silêncio, antes de cada palavra por dizer
Baila as reticências sem ciências, do se saber sentir
a cor de um beijo, que se prova, sem se pedir
dança-me assim, de pés descalços, o sabor de, menina…o sabor de seres mulher
Vasco Guedes
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