quarta-feira, 7 de julho de 2010

Entre(as)linhas de um regresso


Olho a página branca, que me olha, sem peias, e solta

procurando as palavras no tempo, de um tempo que não volta

buscando as ondas revoltas, onde se escapara a palavra,

Neste céu vazio, de papel, onde o negro do verbo, se lavra.


E no compasso de cada passo, passado e por caminhar

desfraldo as velas do tempo dos sonhos, e neles me deixo navegar.

De novo, como uma primeira vez, um regresso, tantas vezes adiado

Expresso, no brilho dos olhos, nu desejo de um beijo roubado,


De novo navegante, minha bússula, é um metrónomo sem idade

que me marca os passos, e os abraços, já baços, aos olhos da saudade

E aqui regresso, às entrelinhas, mestras minhas, humilde aprendiz


De novo sou guerreiro, desta minha cifrada grafia,

velho louco, grito rouco, que da prosa faz geografia

nas margens deste entardecer, nas margens do rio de mim, assim... ser feliz

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