quinta-feira, 15 de julho de 2010

Público segredo


A noite acorda lá fora,
como me acordas as veias, por entre os corpos despidos.
Na dança insinuante, que me acicata os sentidos.
Neste aqui, onde nada mais existe, nada mais do que este agora.

Do meu corpo, fazes palco de emoções, desejo e calor
em traços de luz, te soltas e te entregas, sem negas ou pudor,
num tango feito de silhuetas, em traços de poetas, sabor escarlate.
Entregas-te vida, antes que o desejo me mate

Indecentemente inocente, desafias, e cativo me faço, na tua beleza.
Neste jogo de uma casta obscenidade, somos predador e presa,
nesta pública intimidade, tingimos as paredes em vagidos imorais

Rasgando o céu num mergulho, reinventando o sacrossanto pecado.
No mais que perfeito conjugar dos corpos, no mais que certo, que errado.
Vens, antes que a noite lá fora adormeça, pois aqui, nós já somos imortais.

Vasco Guedes

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