
És-me! Como tatuagem, assim poema
como tango de poetas silhuetas, de sol e lua
Trazes-me o fogo nas veias, e dou-me de alma nua
És-me, assim, paixão, sem nome, sem tema
És-me, como miragem, marca d'água, sonho terno
o beijo errante que se escapa, num cigarro, fumado com ardor
Ópio, vicio que agarra, nessa pele tua, África no sabor...
Fugaz instante, que em ti, se faz eterno
És-me, o perfume que desagua, entre o corpo e as mãos despidas
As pétalas de um olhar (de luar), na contradança de teu soslaio
Que fazes nascer em mim, o querer de homem, entre sorrisos de catraio
És-me... (n)o fim dos dedos, sem medos, o princípio de tudo,
o para sempre e um pouco mais, escrito num brado mudo
a escultura de um soneto, em silêncios e palavras na alma tingidas
E assim sou eu...teu!
Vasco Guedes
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