quinta-feira, 22 de julho de 2010

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No escuro da noite, entra-me um Tom Waits, pela janela entreaberta
nos acordes de Pinho Vargas, na cortina azul, de cetim dançante
como silhueta de um vestido despido, caído aos pés de uma cama, agora deserta
e na janela, assim se cruzam, a música e o meu olhar distante.

Já não estou aqui, num qualquer lugar,
sou a sombra transparente, de presente que é já passado
nos dedos ainda se sonham os sonhos, no ébano e marfim por tocar
e os passos perdem-se de vez, descompassados , por um caminho “nunca antes caminhado”

E o escuro, hoje é meu.
Hoje, sou eu!
Neste aqui sem azimute, vazio, frio incêndio

E mais que nunca, agarro-me à música
Aos acordes desse Tom Waits, nesta intimidade pública
Para que não me afogue num qualquer vão de escadas, neste grito escuro de silêncio.

Eu, sem voz para o nome, hoje.

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