terça-feira, 13 de julho de 2010

Rabelo vadio


E em passos amenos, pequenos,
se escreve, hoje, este caminho.
Por entre miosótis em acenos, e nenúfares serenos
Sou mais que lago, sou rio, jamais sozinho

Guardado nas tuas margens, ancorado no teu abraço
onde me escrevo, murmúrios gritados ao vento,
na torrente dos meus dias, és-me cais e alento
brisa que me guarda e embala, que me leva o cansaço

Em sons suaves de blues, meios tons de novo mundo
no reencontro dos desencontros, com voz de um mar à espreita
nas viagens deste abraço eterno e terno, que no fundo mim se deita

E guardas-te em mim, sem fim, entre as margens feitas de cetim e luz
és tatuagem do tempo, estrela que me prende, me guia e seduz
nestes passos amenos, onde me fazes rio vadio, velho rabelo, vagabundo

Vasco Guedes

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