domingo, 11 de julho de 2010

Leonor


Hoje, assim como excepcionalmente poderá acontecer a nível pontual de futuro, deixo aqui um texto em tempos escrito, num dia da criança, por um sonho meu.

Hoje, e por estes dias ponderei deixa-lo aqui, por uma outra Leonor, esta agora minha "sobrinha", que nasceu recentemente... a esta, à minha e a todas as outras, além do seu nome...

e aos meninos, tambem...

Houve um sonho,
Contradança de um poema
Grito escrito no olhar
Sem que importe o tempo ou lugar
Sonata em mi, em si, dona de alma que gema
Houve um sonho…
Sonho secreto, no peito guardado
Esculpido num sorriso, paraíso tatuado
E houve um sonho,
De um conto de meia lua em segredo
Abraçada a face oculta, cantando sem medo
Um sonho de um novo amanhecer
Desenhado nos meus braços e na minha voz
Melodia encantada, embrulhada num “nós”
Presente de um futuro, milagre chamado nascer
Houve um sonho, de seu nome poesia
Pintado nuns olhos grandes, olhos cheios de magia
E nos dedos das mãos redondas e fantasia
Fazendo-me maior, que um qualquer dia fui
Como maior é o mar que na praia se dilui
De onda em onda, cada verso, cada ensaio
Olhar a fragilidade de um olhar de descoberta
Que abriga minha alma, jamais ali deserta
Olhar-me nesse sonho, meu poema, meu desmaio
E não ser já só homem, não ser apenas ilha
Fazer-me porto seguro, abraçar-te
Meu poema, obra de arte, ali olhar-te
A noite embalar-te e mil ternuras contar-te
Houve um sonho, meu tesouro, minha filha
E houve um sonho
Que trouxe comigo de alma despida
Olhando-te no berço, meu poema, minha vida
Olhar-te assim
Houve um sonho,
Ouve-me meu sonho
Nesta pública intimidade
Como pedaços de noite e dia
Princípio escrito da eternidade
Em tons suaves, na tua pele, melodia
Houve um sonho
O tudo no meu vazio
Desnudo como o meu rio
Ter-te nos olhos, meu perfeito jardim
Ser-me teu e tu, parte de mim
Houve um sonho,
Um para sempre
… para sempre, até para sempre, um qualquer
Para sempre menina, mesmo já mulher
Porque os anos, são dias lentos, desiguais
Quando passeiam os filhos, aos olhos dos pais
Houve um sonho
Sonho de alma, sonho tão meu
Dos teus primeiros passos, rabiscos, papá e mamã
De te poder embalar, e descobrir em ti, novo mundo, a cada manhã
Como pedaços que fossem de céu
E dar-te o mundo como se meu fosse
E canções e fiapos de algodão doce
Houve um sonho
Dar-te a mão no teu gatinhar
E guardar-te em mim
Até te levar ao altar
Houve um sonho
Que hoje me fiz escrever
Como prece que guardo
De um sonho por acontecer
Em asas que deixo voar aqui
Esperança nesses olhos de criança
Que me dês, um pouco de ti
Houve um sonho
Sem prazo marcado
Fim de tarde de Outubro, Maio ou Julho
Sonho assim, meu sorriso, meu orgulho
Houve um sonho
Ser teu mestre, e um dia ancião aprendiz
Ser assim esse sonho que sonho
Sonho sonhado de ser (o mais) feliz
Houve um sonho
O meu maior poema de amor
Estrofes de dois, num ser mais profundo
Detalhe de céu, pousado no mundo
Houve um sonho, de seu nome Leonor.

Dedicado ao meu maior sonho,
A filha que sonhei um dia ter.
Porque hoje é o dia da criança
Porque hoje, é o meu olhar também de infante que me guarda a esperança.


Vasco Guedes, (em 01-06-2007)

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